Teatro de papéis

Outubro 20, 2009

Bate no meu peito a candura de um desorientado sem rumo em direção ao desprovido espaço daquela mera consciência.

Tem pilhas e mais pilhas de papéis no canto de uma das paredes de meu minúsculo cômodo.

Incontáveis intérpretes para papéis estagnados em meus esquecimentos, nos quais, ficaram as aspirações de uma doce lembrança enterrada em outrora.

A arte natimorta em meu íntimo rasteja ressurreição para germinar os grãos abortados de minha criatividade.

Na relutância do meu afastamento sento-me a admirar o nada; ouvir o ar passear por entre os telhados; contar os passos lerdos do sol enquanto se apropria do firmamento; eis a hora do meu silencio gritando; quanto mais próximo mais distante.

Meus gemidos são orações declaradas a um deus qualquer, uma entidade surda abandonou meus lamentos condenando meus desejos e atos.

Deixei de lado a sorte para acreditar na possibilidade de outro ganho.

Falta-me a esperança estimuladora; um choque de vontade; um motivo para superar minha nostalgia.

Fitar o horizonte da parede revela o quanto pincelo a lysis de minhas fantasias, pintei a obra do meu anonimato.

A mentira de minha idealização mantém vivo sonho de acreditar que posso ir além do que me é posto como limite.

Arregimentei meus papéis alfabeticamente para distribuí-los internamente, a fim de catalogar tudo o que for possível compreender a partir destes.

Nesta distribuição os desnecessários serão incinerados no cárcere da desilusão.

“Danilogia”

Outubro 20, 2009

Decide silenciar minha própria insegurança, descrever meu silêncio solene e desrespeitoso com meus próprios temores.

Quem sou?!

Estou descobrindo! Talvez agora eu saiba, por mais ofuscado que ainda seja minha grandiosa imagem.

Criatura integrante!

Coloco-me diante de meu único gesto, uma andarilha errante em seus caminhos distorcidos.

Tão distante estou da fantasia ou minha proximidade anseio não perceber?

Aspirações que desejo viver, mas não as coloco em prática.

Práxis abortada em meus receios. Dúvida terrível na ilusão de outra (mais uma) rejeição.

Perseguição maldita desta sombra impregnada em minha existência.

A moral da história de uma fábula não narrada. Um conto sem o discurso do contador deste provérbio.

Pensante, cogito minha filosofia de questionamentos retóricos.

Não sei o que fazer pra me livrar deste cárcere, muralhas intransponíveis, plantei um labirinto diante do jardim.

Montei guarnição frente aos sentimentos, tranquei meu coração e entreguei a Aquiles para que o levasse o mais distante possível de qualquer impulsividade que racionalmente eu pudesse cometer.

Na Ilíada da existência perdi minhas aventuras, não desfrutei os encantos de Hera. Puni meu amor fadando-o a companhia de Narciso a vislumbrar constantemente sua projeção distorcida. Deixei de procurar olhos que me refletiam. Satisfiz-me em observa a auto (in)satisfação de um não amante apaixonado e amado por si mesmo.

Ultrajante tortura de todos os surtos flagrados em meus sonhos. Saciei o ódio no amor manifesto na repressão dos impasses gerados em minhas desilusões.

Cedo ou tarde farei paródia da fraqueza em confessar que nada sou além do humano desumano que não sabe o que fazer depois que aprendeu que não tem a mínima idéia de como se faz para desaprende a amar.

Seus medos, meus fantasmas

Outubro 20, 2009

O terror toma conta da mente humana expresso no murmúrio de um peito latente, sufocado pela aflição de um grito estridente do louco, desvairado na angústia de sua perdição.

Quantos receios lhe cercam? Ou me rondam?

Meia dúzia ou mais, quem sabe o que lhe passa (me passa) no pensamento?

Mentem quem lhe quantifica, erram quem me enumera. Não sabem ao certo.

Tantos terrores me cercam, quantos receios lhe rodam.

Essa imagem distorcida de nossa demência, alucinação conjunta de uma alienação invisível.

Assombros reais de um mundo fictício de nossa própria assombração.

Seus medos, meus fantasmas uma compreensão inaudita de palavras contadas ao desconhecido, diálogos travados no estranho momento em que te olhei.

O que sou?

Nem sei!

Talvez, mais uma fantasia estática de minha única insanidade, de todas as verdades desconhecidas de nossa harmonia inexata.

O romance descarado do amante perdido em seu descompassado ato. Abscesso carregado de pus em minh’alma, lacerante erro de meus desejos.

Ecos dos berros!

Sigilo displicente.

Cumplicidade de minhas fantasias.

Imaginação infértil sonhada em atitudes discretas de meus (seus) anseios.

Apenas mais uma loucura de um dia inacabado, uma hora não passada.

Um segundo não vivido, uma beleza sem contemplação.

Nosso diálogo sem intérpretes, mais um monólogo de nossa confusão.

Seguro as letras que apunhalam minha indecisão de narrar-te em gestos o discurso truncado de toda devoção.

Seus medos, fiel devorador de meus devaneios.

Meus fantasmas cúmplices de sua aniquilação em meus delírios.

Dispersarei como um momento ao me distanciar da razão insuportável de viver somente com minhas elucubrações

Flores do Campo

Outubro 12, 2009

No silêncio observo os ermos repletos de flores, são margaridas, orquídeas, girassóis, infinidades de espécies bailando ao som dos ventos.

Pés descalços pisoteavam a relva que lhe acariciam ao ser tocado. O pólen se despede flutuando no ar ou nas minúsculas patas de uma abelha.

Suave aroma invade os campos distantes, a natureza expele virtude, mesmo o capim bravo adormece com goles de erva doce.

Ludibriado pela exuberância o camponês colhe lírios para os ramalhetes de fores do campo.

Com o tato impregnado pelo aroma e manchado de pólen arranca as ervas daninhas que se alastram na grama.

Seus esforços inúteis em afagar a inspiração de seus atos. Fixam-se em suas mãos calejadas.

No desespero de ansiar o intocável precipita-se aos galopes em direção ao planalto.

A dúvida destina-lhe o caminho do esquecimento, longe de tudo aprecia a imensidão, o infinito do horizonte tornou-se próximo como ao alcance da mão que lhe toca a face.

Exaurido senta-se num monte qualquer, fixamente esquadrinha os artelhos sujos, outrora carregavam flores e lágrimas sobraram-lhe somente o amargo das fúcsias, gotículas salgadas de um dia não vivido.

Deseja vomitar palavras, regurgitar letras com intuito de elaborar frases que confessem seu amor, mas sua pusilanimidade emudece-lhe deixando-lhe a sós com a solidão.

Saudosista imagina o abraço que jamais fora capaz de oferecer, o beijo ousado ficou trancafiado na imaginação, no sonho desperto pelo pesadelo da realidade.

Degusta seu doce fel sem engolir um pingo de sua própria dor, simplesmente digere as mazelas de seu afastamento.

O verão vem despontando permeado pelo calor que desidrata as flores frustrando a primavera. 

Pedras de um Riacho

Setembro 13, 2009

Torturado pelos castigos do sol caminha o garimpeiro em direação ao seu jardim de pedras.

Cansado deposita seus ossos em frangalhos no empenho de adquirir o precioso, como jogador que anseia encontar a sorte com beijos em sua face.

Mesmo em exaustão imagina o valor do esforço avaliado nas pepitas perdidas em suas horas de reclusão.

Obstinado se lança desprentensiosamente ao silêncio da proura. As margens do riacho lípido agacha-se com a peneira em mãos e agita as águas removendo pedras, produzindo barro misturado ao seu suor amargo. com seu lenço imundo enxuga a fronte áspera, violada pelo tempo.

Passa manhã e tarde, com o leito varrido, revirado de tentativas frustradas, pois nada encontrou. depoista seus pertences e ferramentas na scola surrada que leva aos ombros. Retoma sua caminhada, antes de adentrar os umbrais do lar, deparar-se-á com a penumbra da noite.

Passos ruidosos pisam firmes em direção a escuridão na expectativa da artificialidade da luz clareando seu maior bem. Distante visualiza o ponto estático que lhe agita o ser, exaurido por mais um dia vasculhar o desconhecido aloja-se nos átrios personificados na amada.

Essa labuta frustrada no decorrer do dia recebe êxito no transcorrer da noite com o brilho do ouro no sorriso da perfeição que lhe acaricia.

O garimpeiro milhonário em sua inocência festeja a riqueza da pepita que lhe exige diariamente uma nova forma de amar.

Convicto de sua relíquia fecha as portas de se garimpo dos sonhos perparando-se para mais uma caminhada até as pedras do riacho.

Interrogações!

Agosto 31, 2009

 O que é a interrogação além de um sinal ortográfico?

Uma dúvida não compreendida em minhas singelas desculpas?

A insegurança do nada frisado no adeus?

Incerta resposta de uma interjeição?

Meu desejo reprimido em parar de querer?

Alento espanto enquanto lhe observo?

Abraço cingido no caos?

Devaneios certeiros na concretude do real?

Um alfabeto escarranchado numa folha suja?

O amor irradiado no sol encoberto pelas nuvens?

Minha paixão desbriada no óleo da dor?

Sonhos eriçados nos descompassos de outrem?

O distante tão próximo no caminho que jamais trilhei?

A altura discreta do penhasco admirado?

Aquele nó indigesto enroscado em minha garganta?

Um toque sensível em pedra bruta?

Muitos gritos desprendidos ao silêncio?

Interrogações?! O que seria além do agora?

As minhas inquietudes?

Questionamentos sem respostas?

Outra face da coroa que me encobre a cara?

A manhã do dia não amanhecido em meus tormentos?

Você meu alvo inatingível, mas plenamente alcançável?

De todas as certezas que possuo me mantenho na exclamação do indefinido!

Meu Hoje

Agosto 23, 2009

Vejo em minha frente uma série de estímulos que me fazem pensar em tudo, me deparo com alguém que desafia minhas formas inúteis de entender a vida.

Uma pessoa que ultrapassa os limites de meus conhecimentos, sempre me revelando que o mundo tem mais que meras formas, cada vez que lhe vejo enxergo talvez algo que nunca ansiou me mostrar, mas sempre me sinaliza uma adorável criatura, que ora se reveste de forças, e, em outras profunda sensibilidade e destreza.

Ao me deparar com você sempre observo um mundo paralelo entre o manifesto e o latente, assim tenho o desafio de unir os dois e te visualizar de maneira completa.

Como  as flores que caem no outono escondem as maravilhas das fissuras que lhe complementam.

A noite estende seu manto negro sobre o brilho do dia, ofuscando o silêncio do grito ao comunicar o lamento da luz.

Fonte inexorável de dúvida são seus olhos inebriados pelo vinho embebido em sonho.

Prazer inigualável tomar-te no colo, calor pulsante num corpo mórbido.

Formidável sensação de alento trocar singelas expressões permeadas por sentidos discretos.

O eu que de que meu ser nego como todo, se manifesta nas entrelinhas de minhas palavras, calculadas sensivelmente para expressar frieza no que falo. Ocultou o verdadeiro sentido dos berros para não proclamar seu inevitável valor.

A vida em seu dissabor nos limita fronteiras restritas de passos e larga em alucinações.

Minha mente contaminada pela imagem refletida do ontem distorce o hoje em enigmas pragmáticos de nossa vivência.

Nesse céu de nuvens estreladas a tormenta afasta as feridas do tempo sistematizando a certeza da espera.

Majestosa senhora de meus dias aguardo a noite, que esta me traga a suavidade de seus toques.

Angariarei forças para solidificar os resvalos dos meus passos em direção a facticidade da existência. Ei de te completar por horas intermináveis do meu hoje.

Aquarela

Agosto 18, 2009

Concentradamente misturo tintas em busca de um novo tom, procuro a cor que há de expressar seu majestoso brilho no olhar.

Admiro a tela em branco que como tabula rasa imprimo nossos significados.

Paleta e pincel na mão traço o retrato perdio na miscelânea do incompreensível.

Projeto a arte inaudita, nesta galeria exponho meu amor por sua incontestável incerteza.

Misturado ao belo regurgito formas que disformes emolduram sua simplicidade.

No itinerário do risco encontro o rosto que me embriaga ao embebedar meu pincel em mais um pingo de luz.

Recortando as partes encontro o todo que singelamente entrecorta minha sobrevivência.

Meu fôlego toma cor na  Aquarela do riso irradiado por sua presença.

Com dedos trêmulos me uno à cor espectral borrifada nas tintas litográficas. Atrelo-me a trama que transubstanciei a melhor figura.

Eis a obra por concluir, moderna arte retorcida em óleo, esculpida sobre o mármore enquadrado na minha parede lisa.

O plágio inacabado aguarda seu auto-retrato em minha pintura.

Depositei minha Aquarela no destino, pois paulatinamente me servirá os únicos tons capazes de expressar no neutro a graciosidade do que é Você.

Torrentes

Agosto 14, 2009

A madrugada silencia meus sentimentos enquanto deliro.

Minha distração corre apressada, desnorteada perde o sentido da direção que eu não defini.

Retumbante estremece meus anseios ao imaginar o calor dos seus braços.

De hora em hora fito os minutos que não passam, permanecem estagnados me torturando em aguardar o dia que possuirei seu corpo.

Apenas sou o contrário inverso manifesto no oculto.

Esperneio aos berros meus soluçoes de silêncio.

Tormento constante apreciar a distância que nos une.

Eterna satisfação incompleta no almejo inatingível do bem amado.

Suave toque ao me agarrar na correnteza de impulsos torrenciais que derrubam as barreiras débeis da denominada consciência.

Espero que o término sinalize o início de meus cuidados a esta frágil criatura.

Inspiro o ar que expiro durante o instante que te respiro.

O suor escorre no arrepio da pele ao esfriar o calor de minhas paixões nessa torrente de elocubrações em te possuir.

No embalo

Agosto 5, 2009

No embalo da rede o vento adormece calmamente entregue aos seus cafunés. No silêncio dos passos corre para além dos montes, supera seu medo de altura atirando-se ao ar.

Suave deleite, recanto dos sonhos, inimigos secretos de minhas paixões.  Monotonia agitada por todas as inquietações de uma memória ofegante.

Prazer ocultado pela sinestesia do ruído estático, mas os gemidos reprimidos ecoam ao longe transportados nos calçados de quem segue descalço.

Será doce o mel de seus lábios? Talvez açucarado o melado de seus beijos?!

O frio aquece o corpo entorpecido pela escassez de seu hálito. A neblina cobre a pele como às películas de um lírio que se abre para ver o sol que ainda não despertou. Arrepiada a derme oferece seus poros para mais um de seus toques.

A orla no embalo das ondas declara sua rendição, às águas se entregam a costa para serem tateada pelas rochas que lhe aguardam.

Sobrevoando a imensidão no embalo adormecido do vento a gaivota se aninha nas rochas acariciadas pelas ondas do mar debruçadas na costa. Sossega-se admirando a extensão da calmaria que se apodera de seu íntimo, pode repousar encontrou guarida para suas turbulências.

Ao desprender o fôlego ressuscita a morte esquecida da instância de mais um sobrevivente despertando vento para mais passeios nas extremidades do infinito.

Desventuras

Agosto 4, 2009

Vasculhe todos os cômodos vazios da alma depararse-á com seu próprio esquecimento desolado pela indubitável companhia da solidão.

De luz ao parto agonizante do brilho perdido clareado na escuridão dos dias.

A luminosidade sentida nos olhos cega os sentidos feridos pelo desencanto.

Basta esquartejar a incerteza da compulsão reprimida para oficializar a ineficiência da visibilidade.

Na destruição, intacta iminência de mais um desabamento drástico plagiado pela imutabilidade do recomeçar.

Ali sentada no banco da vida a incongruência bate palmas, sorrateiramente espreita sua próxima vítima.

O espectador enfeitiçado é sufocado na realidade, afogado na mentira e ressuscitado na ideologia utópica de um futuro melhor.

Via de regra o “intérprete” infeliz é estrangulado pela realidade, martirizado pela mentira e afrontado pela ideologia de não parar de viver na posteridade prometida.

Sem mais nem menos para o inexplicável prosseguiremos enfrentando nossas desventuras.

Dádiva

Julho 22, 2009

A tempestade passou, abriu-se o céu irradiando o brilho do seu sorriso.

Imensurável a felicidade ao ouvir sua voz, apreciar seus olhos, quero que o tempo pare para viver só este instante.

Uma dádiva intocável pertencente somente ao meu ousado estado onírico. Aguardo a realidade que se afasta unindo-me a você de forma alucinante cercado de possibilidades.

Descanso as pálpebras, assim respiro a suavidade da fantasia do prazer que sentirei no seu toque. Passa-me a imagem questionável de como seria estar nos seus braços.

Internamente degusto o prazer e a dor ao sentir meu coração disparado quando sinto parcialmente seu corpo. A totalidade me negada transporta o melhor que posso efetuar.

Meus sentidos descontrolam-se, forçosamente administro os impulsos que roem o pudor indecoroso ao arrebatar meu íntimo a você.

Minha menina, satisfação plena por conhecer meus segredos silenciados pela cumplicidade de nossas pupilas.

A posse do pronome me trai, estou tragando a imersão do meu peito nos indistintos deleites.