Histeria Natalina
dezembro 19, 2010
O mês de dezembro guarda uma peculiaridade da essência humana, nesse se oculta todas as dores e lágrimas esquecidas no decorrer do ano.
Vou falar um pouco sobre o natal “bonitinho” que ansiamos ter, os abraços calorosos, os pedidos de perdão, as reconciliações, enfim, a hipocrisia impetrada em ações harmoniosas, dignas de nota.
Rapidamente passam-se os dias sem que percebamos a perda do outro, o distanciamento causado pelas obrigações diárias.
Estrategicamente somos conduzidos no mínimo bimestralmente a surtar. Simplesmente viver um momento histérico, algumas semanas, com dias de vésperas de loucura.
Seria a histeria descrita pelo famoso Freud ou tão incompreendido Dostoiévski? Que diferença faz? O que importa é que o homem perde sua razão, deixa de lado sua consciência, somente abarrota as ruas comercias em busca da lembrança perfeita para pessoas imperfeitas convidadas às festas natalinas.
Quantos perceberam a manipulação estamos submetidos? As promoções induzem ao ócio alienado de aquisição, mostra de um natal repleto de amor.
Observemos o calendário;
- Janeiro: mês de festa, recebido com fogos de artifício e comemorações (nada mal, ilusão mesmo), sem considerar os impostos (IPVA, IPTU) além da matrícula da escola, vamos aos pagamentos;
- Fevereiro: teoricamente início do ano letivo, imprescindível aquisição de material escolar, na maioria das vezes berço do carnaval, sem preocupações comemoramos, festejamos, mas depois da orgia da carne, hora de começar o ano;
- Março: depende do ano também cedia o carnaval, aí a vida começa mais tarde ainda;
- Abril: este mês é doce, mesmo com as dores da tal quaresma, semana dita santa, tem um maravilhoso domingo de páscoa, com coelhos botando ovos de chocolate, quase fantástico, desvirtua tanto que até mamífero põe ovo, mas a produção de cacau agradece;
- Maio: as dívidas anteriormente adquiridas no cartão de crédito ainda estão sendo quitadas quando a pessoa que deveria ser a mais amada de nossas vidas tem um dia em 365 para lhe dizermos “te amo”, a lista de possibilidades de agrado é praticamente infinita, pois mãe se sente feliz com pequenas coisas, pode ser o desenhinho pintado esforçadamente na escola com dizeres simples até a nova máquina de lavar com dedicação total das Casas Bahia, mais uma vez estamos satisfeitos, felicitamos alguém que amamos;
-Junho: metade do ano, para alguns prejuízos, lá vem o mês do amor. Vamos agradar as (os) namoradas (os), esposas (os), enfim hora de agradar quem nos atura constantemente;
- Julho: opa depois de um semestre implorando férias, eis que chegam. Necessário programar os dias de descanso, o marasmo do trabalhador endividado, que também quita novamente a matrícula da escola, da faculdade, do curso de inglês ou de qualquer outra coisa que precisa ser ressarcida financeiramente;
- Agosto: simplesmente matar dois coelhos (esqueci esses não podem morrer, estão botando ovos na páscoa), mas voltando ao assunto é momento de fazer novamente as compras de material escolar e não esquecer o presente lindo do “papis”, também são válidos as lembranças confeccionadas nas salas de aulas como o barbeador gilete 3 master que ele vai amar, mas nada se compara a TV nova de LCD na sala,
-Setembro: não se comemora nada, aliás, quase nada, pois pode calhar de termos o feriado da independência, que às vezes nem lembramos de que, no final de semana prolongado, mais uma saída rápida da insana cidade que habitamos;
- Outubro: festança em dose dupla, feriado e dia dos pirralhos, aí vale o filho de 30 anos, o sobrinho com 2, independente basta adquirir uma lembrancinha e deixar a “criança” interna, externamente feliz. Fato que existe também as peregrinações realizadas em nome da fé para saudar a “padroeira” do país, mas não vou entrar no mérito;
- Novembro: mês que de bandeja oferece festa em dobro, a primeira fúnebre, mas com grande movimento monetário, triste festivo “dia de finados”, alegre apenas para comerciantes, desde ambulantes com rosas murchas nas mãos até floristas competentes em luxuosas floriculturas; a segunda data comemorativa proclamação da República, a pseudoautonomia de nosso país naqueles anos, será que mudou?
- Dezembro: por fim, último mês, final do ano, mas precisa ser encerrado com “chave de ouro”, mas qual deve ser feriado nacional? Obviamente o problema foi resolvido uma história de caridade tornou-se conto mitológico recheado de simbolismo, de amor, de muita paz. Nada mais lógico, geramos o Natal.
O dia da visita do São Nicolau, caridoso que se tornou santo, virou lenda, ganhou barbas brancas, uma pança grande, uma roupa vermelha com detalhes nos pulsos e lapela em tom branco. Assim como não poderia deixar de se locomover deram-lhe uma motorizada carroça nomeiada trenó e puxada por renas mágicas, mas o pobre velhinho precisava de um lugar pra morar, sem lugar algum melhor no mundo enfiaram o velho no extremo do pólo norte garantindo-lhe um imóvel mobiliado. Todavia, este senhor sensível está idoso demais para trabalhar ofereceram-lhe serviçais, não poderiam ser menos do que anões, gnomos, entre outros, lamentavelmente os “gremlins” ficaram de fora, são sensíveis a água e lá neva.
Tudo pronto para a operação do bom velhinho, pois já tem residência, transporte, operários e fama de bonzinho. Faltava um arremate: o motivo, o porquê fazer tudo isso, assim nasce o “Messias cristão”, mas sinto em informar historicamente Jesus de Nazaré nasceu provavelmente no mês de abril, de acordo com informações judaicas, as datas do calendário gregoriano (o nosso) não coincidem com o judaico, vale salientar que biblicamente Jesus é natural do oriente, ou seja, devemos observar as datas segundo o calendário deles não nosso. Existem informações da tradição religiosas, que apesar de relevantes não são compatíveis com o momento.
Voltando temos o palco perfeito para o espírito natalino em nosso maravilhoso Brasil, recebemos de braços aberto um homem estrangeiro (do pólo norte, logo ali) que usa roupas pesadas e botas de neve, no nosso calor tropical, que entra supostamente pela chaminé em nossas casas de telhas, de lajes e também em apartamentos empilhados uns sobre os outros, mas não podemos perder o espírito natalino. Esse velhinho bonzinho estaciona suas renas na vaga para idoso, com talão de zona azul e sai espelhando uma saudação de “hou, hou” que não sabemos se quer dizer oi ou apenas uma risada sem graça. Porém o espírito permanece entulhamos nossas casas de enfeites são luzes, árvores de natal com um pinheiro que não é típico de nossa região, assim como presépio com manjedoura rodeada por animais, três reis com seus presentes para um menino que na ocasião da chegada já estava andando, mas permanece lá deitadinho, mas esse clima natalino traz paz, as pessoas se abraçam, se beijam, se cumprimentam como se nunca estivesse ressentidos um dos outros.
As famílias se reúnem em torno de mesas fartas com sorrisos alegres, afinal é natal, já esquecemos a raiva que passamos nas ruas empilhadas de pessoas histéricas com sacolas em todas as mãos te espremendo nos corredores, te pedindo desculpas falsamente, todos em busca de um presente que sinalize o amor que não afirmamos em mais de 350 dias que já se passaram, mas por que tanta preocupação? É Natal. De forma, burguesa nos enfiamos nas promoções, parcelamos no cartão em busca de expressar agradecimento ou até mesmo cumprir o protocolo instaurado que devemos presentear, não nos esquecemos nem do inimigo-amigo retirado em um sorteio de “amigo secreto”, tudo que precisamos saber é: no natal é tempo de amar, o resto do ano pensamos posteriormente.
Assim o ano recomeça e retomamos nossa histeria, não posso deixar de citar que nesse ínterim existem os felizes aniversários, isso inclui todos que presenteamos nas datas acima, ou seja, teoricamente temos três oportunidades por ano para sugestivamente agradar quem amamos, a ordem pode ser invertida, de acordo com as datas, nossos pais recebem abraços no aniversário, no dia específico do calendário e no natal, e assim entram outros nessa lógica, alguns ganham menos abraços, pois não comemoramos o dia da (o) irmã (o), mas os colocamos em alguma data relacionada.
Não sou contra o Natal e tudo mais, estou apenas refletindo sobre quantas vezes VOLUNTARIAMENTE presenteamos alguém, jantamos com pessoas especiais, declaramos amor? Simplesmente visualizar o quanto somos induzidos a gestos vazios, mas socialmente aplaudidos, precisamos apenas perceber que temos 365 dias para expor nossos sentimentos, tanto para quem está próximo como distante. Esse clima que teoricamente toma os corações dos homens pode habitar nesse peito o ano todo, sem imperar o determinismo comercial que nos mantém no boleto do cartão de crédito tentando observar um sorriso nos lábios de pessoas amadas.
Independente de como presenciamos essa época do ano, podemos perceber e pensar de maneiras variadas, mas não perdemos o espírito: Feliz Natal!!!
Um Dia de Fúria em Versão Natalina.
By Dan Michael Douglas!!!
Apenas NÃO concordo com um Logomorfo botando ovos.
Na Sistemática Filogenetica nada consta.
Ha Ha Ha ou seria Ho Ho Ho.
Um beijo = ^.^ =
Priscila Fuentes
Nossa estava tão calminha qdo escrevi, se houvesse escrito isso enquanto caminhei pelas ruas…pode ter certeza iria sair veneno nas palavras…qm faz o tuelho por ovos não sou eu…a ideia estúpida não foi minha…ehehehe
Nossa que grande eu texto seu hein, nossa percebi que vc escrevi muito (na minha opinião) sobre ao texto além de não gosta do natal achei bem legal =)
Olá,
vi seu blog na comu “Blogs de Humor” e achei mt interessante.
Qnd tivr um tempinho, passe no meu?
http://cabecafeminina.blogspot.com/
bjooos
Voluntariamente define o texto. É capitalismo selvagem e consumismo desenfreado para tentar suprir a ausência daquele que deveria estar presente.
Impossivel essa magia durar o anoo tdoo, masss vamos agradecer por existir uma epoca do ano onde esse clima impera neh???
eu adoro essa coisa que existe no natal!!! não teria o mesmo valor se fosse o ano todo!!