Quanto tempo?!

novembro 18, 2013

Esta interroga-afirmação do cotidiano…

Encontramos os (des)conhecidos pelas ruas e os saudamos com: quanto tempo!?!

Seguido do sonoro: “é pois é”! Você tá sumido! Ou eu estou sumido!

Sei lá, quem foi?! Qual dois?!

Ambos sumiram!

Misturaram-se aos compromissos da vida, isolaram-se na multidão de desculpas!

Simplesmente desapareceram!!

Perderam-se de si mesmo!

Mas caminham por ai, trombam-se em calçadas!

Descobrem sempre e novamente…quanto tempo!?!

Já tem tempo! Eu sei! Mas, por um instante, foi como se fosse ontem!!

Afinal, quanto tempo?!

Quanto de tempo?!

Para se perceber que o tempo só faz diferença para quem perceber que o desperdiçou…pois a eternidade pode ter sido ontem, e o futuro é agora!!!

 

Lembranças

julho 1, 2012

Recordo-me das tardes ensolaradas em que nos sentávamos nos degraus da escada para explanar sobre a vida;

Não me esqueço do seu sorriso sincero e doce ao narrar às aventuras dos nossos desencontros;

Lembro-me das músicas que nunca ouvimos juntas, mas decoramos as letras como declarações não ditas;

Será injusto acusar o destino pela distância que nos une?

Quanta satisfação ao rememorar os momentos;

Entregues aos deleites contemplávamos o teto deitadas do lado contrário;

Tal avesso mantido em segredo pelos medos da realização;

Salgadas lembranças, adoçadas no encontro de nossos olhares;

Mantém-se o som do telefone e seu oi ao me atender;

As gargalhadas inocentes destas brincadeiras que já não fazemos;

Sim! O tempo passou, mas o amor permanece guardado em envelopes sem destinatário.

Para lá

junho 2, 2011

 Em silêncio sombrio faço as malas, a angústia grita por mim;

Não existe voz para as marcas do passado que não voltará;

Sobraram lembranças boas dos dias de sol;

Lembranças essas que me fazem chorar;

Tenho o amor que me sustenta, mas a distância gera o pânico

Ali, irei assistir, observar

Calcular a cura, a recuperação

O retorno do sorriso, da felicidade

Será que você vai voltar?

Sei apenas que refarei as malas, e, no mesmo silêncio voltarei!

Calçada

maio 30, 2011

O bêbado tem andando sumido ultimamente;

Dias atrás me deparei com o mesmo estrambicado em uma calçada; sinceramente não entendi muito bem se estava rindo ou chorando, apenas percebi que suas feições estavam mais rudes, que seu sorriso era mais forçado e suas lágrimas mais doloridas.

Não interrompi seu momento de desabafo, porém não entendi uma palavra, era uma tal de irmã, um certo amor, tudo misturado ao mesmo tempo;

A alegria da paixão, de estar amando como nunca o fez. Junto a tristeza de uma perca que não tem nome, distância, só está ali a latejar em sua alma;

Como escapatória apelou para o amor, mas este é forte demais que para deixá-lo um momento sozinho, intensidade tamanha, desejo de manter-se em simbiose se possível, apenas estar ao lado de quem lhe extrai todo o sofrimento, promove sorrisos;

De repente a realidade é anunciada em outro telefonema, mas um corte, uma marca em sua coleção de dores.

Na calçada o bêbado retrata todos os pesadelos noturnos, os medos diários, os abraços de consolo,o sorriso de paixão, o olhar desejante, é ali na calçada da realiade despeja seus sonhos, suas dores, sua ousadia, afinal como será capaz de subir degraus sem antes se levantar dessa sarjeta e caminhar honrosamente por este caminho;

O amor me ensinou a erguer a cabeça e enfrentar, a vida me induz a correr para os seus braços quando tudo está desabando interiormente, eis o último pensamento do bêbado antes de apoiar-se para retomar sua jornada.

Saudade

março 2, 2011

Ah!

A saudade, este animal a vociferar meu íntimo;

Devora meus instintos;

Arranca meus pensamentos;

Indomável criatura deste que desígnio de eu;

Selvagem réplica de mim;

Fonte insaciável de imaginação;

Denominação imprecisa do caos a dominar o espaço em branco preenchido por sua imagem;

Dócil medo;

Verdade inaudita de baixo repertório;

Escassez de palavras para simples definição;

Constelação ofuscada de estrelas a brilhar;

Sintonia marcada de sintomas ocultos;

Espectro vivo da distância;

Solidão acompanhada de esperança;

Temerosa expectativa de revê-la;

Quanto do tanto que nomeio saudade ao estar do lado de sua ausência?

Saciar

fevereiro 9, 2011

Na penumbra observo seu corpo nu envolvido em pele;

Lençóis finos encobrindo seios pequenos;

Quantos delírios nessa madrugada mal dormida;

Faltaram desejos para satisfazer seus impulsos incontroláveis;

Suas confissões soaram como gritos no momento lúdico em que brincávamos;

O fervor de te agarrar pelos cabelos;

Apertar seus músculos;

Sugar seu líquido;

Apanhar o instinto em cada ordem;

O controle ilusório de mim;

Obedeci a seus mandamentos regulando suas exigências ao prazer de vê-la delirando por horas;

Ávida mulher degustando minha epiderme;

Arranhando-a;

Fragmento prazeroso de penetrar seu íntimo;

Orgasmo constante de nossos múltiplos delírios;

No emaranhado em que nos achamos saciamos o insaciável organismo que clama freneticamente por mais um toque, outro beijo, todos os lábios, a saliva da língua deslizando pelos membros e órgãos, o frescor do eretismo, por mais sexualidade na sensualidade do sexo. Anseio que em todas as noites eu lhe tenha mais uma vez a me saciar com seu gozo.

Faz de mim…

fevereiro 9, 2011

Quando entrar pela porta;

Arranque suas roupas;

Descabele-se;

Mostre-me seus seios esculpidos;

Deitei-se em meu colo fervente;

Admirarei suas curvas;

Esse corpo de menina mulher;

Cintura fina;

Pernas torneadas;

Mãos delicadas seguram-me forte;

Sussurros tímidos em meus ouvidos;

O calor dos órgãos úmidos;

Suspira em minhas mãos decidas;

Espalhe pelo quarto seu cheiro;

O tom de sua cor;

O ritmo do corpo;

Acalente meus intentos;

Apaguei as luzes, desfiz sua timidez;

Suba sobre meu corpo;

Domine os lábios vorazes que lhe chupam;

A língua determinada que lhe percorre;

Mostre o lugar que me quer;

Segure as mãos que lhe domam;

Use a razão para me desalinhar;

Rendida feche os olhos;

Abandone suas roupas no cabide que não possuo;

Avance em direção ao suor que desliza meus pensamentos;

Temerosa, apenas sinta que não sou mais eu,

Sou você falando consigo mesma;

Por prazer trema em meu corpo;

Vibre em meus braços;

Suspire nos ouvidos que lhe comem com os olhos;

Menina tão mulher que me tem por essa noite, mas antes de sair deixe seu telefone e anote meu nome.

Invasão

fevereiro 9, 2011

Invadiu meus sonhos, me sentou naquela cadeira;

Amarrou minhas mãos;

Iniciou seu show;

Agitou o público, restou loucura;

Caminhou em minha direção;

Rebolou!

Uma camisa a menos;

Arrancou todos os botões;

Sensual lá vai outra peça;

Esfrega-se, molha meus dedos;

Umedece meu tato;

Seiva escorrendo no caule;

Flor virgem implorando estupro;

Retirar-se do mundo iludido, afinal sempre acreditou ser real;

Imóvel, observo;

Embebida em ti, desato os nós;

Agarro o corpo reluzente que me faz delirar;

Sustento minha animalidade, deslizo meus dedos na pele arrepiada sem deflorar o que já me pertence;

A noite já é dia, ainda estamos estendidas no horizonte que nos recebeu com mais um abraço;

Calmamente veste as roupas, me amarra novamente;

Vamos recomeçar;

Seios eriçados;

Músculos rígidos;

Pele suada;

Corpo sedento;

Desejo consumado!

Gozamos novamente sob o ruído de nossos gemidos.

Enfraquecida beijo seus lábios. Não quero acordar e constatar que estava sonhando;

Anseio provas para acordar e saber de sua veracidade, pois certamente, assim como entrou no meu quarto sem eu conhecer de onde veio, irás sem mencionar aonde quer chegar.

Datas inesquecíveis

janeiro 5, 2011

Sempre consideramos algumas datas como imprescindíveis para nossas vidas;

Lembramos do dia que ganhamos um presente inesperado, simplesmente somos surpreendidos;

Na minha vida posso fazer uma lista de dias inesquecíveis, datas em que ganhei a oportunidade de continuar em busca de um sonho;

Ontem me surpreenderam novamente, 13 meninas me alegraram entre lágrimas em um lugar público se uniram para me mostrar que não devo jamais perder a esperança, acenderam a chama da minha convicção;

Deram-me a chance de prosseguir batalhar por um objetivo que tenho há anos;

Não poderiam ter me dado presente maior, me deram amor, carinho,colo, reconhecimento, apostaram no meu futuro, esse por vezes é tão incerto e obscuro, mas por eu vê-lo tão possível também acreditaram que sou capaz concretizá-lo;

Nos últimos dias do ano passado e nos primeiros dias desse aprendi uma grande lição: existem amizades sinceras e instantâneas que nascem de poucos momentos compartilhados com perspectivas de serem eternos;

Apenas alguns instantes são suficientes para despertar amor verdadeiro e manter uma relação fraternal pelo resto da vida;

O presente não veio ontem, chegou no dia em que nos cumprimentamos pela primeira vez;

O ato carinhoso que fizeram marcou mais um dia minha existência.

Em minhas melhores recordações vou ter o sorriso, a alegria, o abraço e a humildade com que me presentearam no dia 04 de janeiro de 2011,

A data que simboliza uma nova fase na trajetória que tenho percorrido, quando chegar ao término desta compartilharei a conquista com quem voluntariamente me auxiliou a dar os passos iniciais.

Agradeço pelo voto de confiança.

Amo vocês!!!

Onze Meninas

janeiro 5, 2011

Vou te contar uma história que pode até parecer mentira ou conversa de pescador, mas aconteceu na virada do ano de 2010.

Um grupo de 11 meninas, algumas muito amigas, outras totalmente desconhecidas resolveram passar o réveillon juntas em uma casa de praia;

Duas delas vieram na frente para providenciar a manutenção do imóvel. Chegaram já era noite se depararam com o que deveria ser grama da altura do muro.

Antes de se preocuparem com o matagal precisavam descobrir quais eram as chaves de cada um dos cadeados utilizados na segurança de recinto;

No escuro quase carregadas pelos pernilongos abriram a casa, com uma lanterna encontravam os disjuntores, acederam as luzes;

O próximo item da lista era abrir os registros de água que acreditavam ser apenas dois, mas constataram que também era necessário abrir o registro externo, que por ventura estava estrategicamente situado ao lado do muro perto do portão lateral tomado pelo mato;

Novamente utilizaram a lanterna e uma delas pulou o muro, adentrou o matagal para abrir o registro, após os procedimentos tornaram abrir as torneiras, mas ainda não havia água, frustradas comunicaram o insucesso para a responsável pela excursão que enfatizou o retorno senão houvesse água, pois o abastecimento poderia ter sido suspenso;

Já desiludidas com a notícia descobriram que havia mais um registro sobre a pia da cozinha, eis que jorra água da torneira, mais um problema solucionado;

Na mesma noite, ambas caminharam até o supermercado próximo para providenciar o restante dos mantimentos, ali mesmo receberam indicações de quem poderia cortar o mato;

Combinado com esse sobre o dia e horário do corte, retornaram preparam o jantar e foram dormir devido o avançado da hora, mas antes de deitarem tentam sem sucesso acionar a bomba de água, impasse que deixarem para pensar na solução no outro dia;

Ao amanhecer visualizaram com mais clareza o tamanho do mato e a bela faxina que a casa necessitava. Nesse momento um transeunte com a roçadeira nas mãos se ofereceu para cortar o mato;

Aceitaram sua proposta, após poucas horas o matagal não existia mais. A casa foi faxinada cômodo a cômodo.

Exaustas no final do dia constataram que não saia água do chuveiro do banheiro que fora selecionado para o banho, pois a casa dispõe de dois. Assim já tarde da noite foram higienizar o outro banheiro. A primeira tomou um banho quente, já a segunda não teve a mesma sorte. O chuveiro havia queimado, sem opção, a solução foi tomar banho gelado;

Levaram os problemas com bom humor, caçoavam de si mesmas, pois era um imprevisto atrás do outro;

Finalmente chegou a véspera da virada, tudo resolvido: casa limpa, bomba funcionando (graças ao Sr. João dos gatos), mato cortado, água e luz ok;

Foram preparar a comilança. Aí foi só descascar e picar, tudo bem que uma delas comprou um descascador novo, pois não se deu muito bem com o que havia na casa. Depois foi por no fogo, trocar de vasilha a manhã toda;

As meninas, as nove que faltavam chegaram aos poucos, o grupo ficou completo no meio da tarde, como nem todas se conheciam se iniciou as apresentações e confraternização;

No jantar já estavam familiarizadas, após comerem se preparam para a virada.

Parte grupo seguiu de carro para outra praia próxima, enquanto o restante seguiria de ônibus para encontrá-las no outro local, mas eis que surgem mais imprevistos. Como estava próximo da meia noite, as meninas que seguiriam de ônibus verificaram que não havia transporte público, muito menos um táxi para levá-las, assim passaram a virada sem a outra metade do grupo;

Por telefone são informadas que o carro ficou sem gasolina e as cinco meninas estavam paradas no meio da estrada, sendo auxiliadas por um pedestre alcoolizado,

Como não havia mais o que fazer, quem havia ficado para ir de ônibus volta para casa aguardando o retorno das meninas com a chave do imóvel;

A espera que seria de minutos durou horas repleta de angústia, preocupação e indignação que só foi colocada a cabo com a chegada da outra metade do grupo narrando ás desventuras que enfrentaram no decorrer da madrugada até chegarem a casa,

Assim, metade do grupo passou a madrugada do ano novo sentadas na varanda sendo devoradas por pernilongos e a outra metade na chuva e sem gasolina. Duas meninas do outro grupo caminharam até o posto de gasolina mais próximo para conseguir combustível depois de muitas dificuldades;

O grupo se reencontrou já era quase alvorada, inegável que pairou um clima tenso entre elas, devido aos perrengues que enfrentaram para uma madrugada que deveria ser de festa, mas na tarde do primeiro dia do ano se alegraram e festejaram até de madrugada para compensar a outra noite;

Desta forma, termina a história que aconteceu conosco na madrugada do primeiro dia do ano de 2011 que firmou a possibilidade de uma grande amizade entre onze meninas.

Histeria Natalina

dezembro 19, 2010

O mês de dezembro guarda uma peculiaridade da essência humana, nesse se oculta todas as dores e lágrimas esquecidas no decorrer do ano.

Vou falar um pouco sobre o natal “bonitinho” que ansiamos ter, os abraços calorosos, os pedidos de perdão, as reconciliações, enfim, a hipocrisia impetrada em ações harmoniosas, dignas de nota.

Rapidamente passam-se os dias sem que percebamos a perda do outro, o distanciamento causado pelas obrigações diárias.

Estrategicamente somos conduzidos no mínimo bimestralmente a surtar. Simplesmente viver um momento histérico, algumas semanas, com dias de vésperas de loucura.

Seria a histeria descrita pelo famoso Freud ou tão incompreendido Dostoiévski? Que diferença faz? O que importa é que o homem perde sua razão, deixa de lado sua consciência, somente abarrota as ruas comercias em busca da lembrança perfeita para pessoas imperfeitas convidadas às festas natalinas.

Quantos perceberam a manipulação estamos submetidos? As promoções induzem ao ócio alienado de aquisição, mostra de um natal repleto de amor.

Observemos o calendário;

– Janeiro: mês de festa, recebido com fogos de artifício e comemorações (nada mal, ilusão mesmo), sem considerar os impostos (IPVA, IPTU) além da matrícula da escola, vamos aos pagamentos;

– Fevereiro: teoricamente início do ano letivo, imprescindível aquisição de material escolar, na maioria das vezes berço do carnaval, sem preocupações comemoramos, festejamos, mas depois da orgia da carne, hora de começar o ano;

– Março: depende do ano também cedia o carnaval, aí a vida começa mais tarde ainda;

– Abril: este mês é doce, mesmo com as dores da tal quaresma, semana dita santa, tem um maravilhoso domingo de páscoa, com coelhos botando ovos de chocolate, quase fantástico, desvirtua tanto que até mamífero põe ovo, mas a produção de cacau agradece;

– Maio: as dívidas anteriormente adquiridas no cartão de crédito ainda estão sendo quitadas quando a pessoa que deveria ser a mais amada de nossas vidas tem um dia em 365 para lhe dizermos “te amo”, a lista de possibilidades de agrado é praticamente infinita, pois mãe se sente feliz com pequenas coisas, pode ser o desenhinho pintado esforçadamente na escola com dizeres simples até a nova máquina de lavar com dedicação total das Casas Bahia, mais uma vez estamos satisfeitos, felicitamos alguém que amamos;

-Junho: metade do ano, para alguns prejuízos, lá vem o mês do amor. Vamos agradar as (os) namoradas (os), esposas (os), enfim hora de agradar quem nos atura constantemente;

– Julho: opa depois de um semestre implorando férias, eis que chegam. Necessário programar os dias de descanso, o marasmo do trabalhador endividado, que também quita novamente a matrícula da escola, da faculdade, do curso de inglês ou de qualquer outra coisa que precisa ser ressarcida financeiramente;

– Agosto: simplesmente matar dois coelhos (esqueci esses não podem morrer, estão botando ovos na páscoa), mas voltando ao assunto é momento de fazer novamente as compras de material escolar e não esquecer o presente lindo do “papis”, também são válidos as lembranças confeccionadas nas salas de aulas como o barbeador gilete 3 master que ele vai amar, mas nada se compara a TV nova de LCD na sala,

-Setembro: não se comemora nada, aliás, quase nada, pois pode calhar de termos o feriado da independência, que às vezes nem lembramos de que, no final de semana prolongado, mais uma saída rápida da insana cidade que habitamos;

– Outubro: festança em dose dupla, feriado e dia dos pirralhos, aí vale o filho de 30 anos, o sobrinho com 2, independente basta adquirir uma lembrancinha e deixar a “criança” interna, externamente feliz. Fato que existe também as peregrinações realizadas em nome da fé para saudar a “padroeira” do país, mas não vou entrar no mérito;

– Novembro: mês que de bandeja oferece festa em dobro, a primeira fúnebre, mas com grande movimento monetário, triste festivo “dia de finados”, alegre apenas para comerciantes, desde ambulantes com rosas murchas nas mãos até floristas competentes em luxuosas floriculturas; a segunda data comemorativa proclamação da República, a pseudoautonomia de nosso país naqueles anos, será que mudou?

– Dezembro: por fim, último mês, final do ano, mas precisa ser encerrado com “chave de ouro”, mas qual deve ser feriado nacional? Obviamente o problema foi resolvido uma história de caridade tornou-se conto mitológico recheado de simbolismo, de amor, de muita paz. Nada mais lógico, geramos o Natal.

O dia da visita do São Nicolau, caridoso que se tornou santo, virou lenda, ganhou barbas brancas, uma pança grande, uma roupa vermelha com detalhes nos pulsos e lapela em tom branco. Assim como não poderia deixar de se locomover deram-lhe uma motorizada carroça nomeiada trenó e puxada por renas mágicas, mas o pobre velhinho precisava de um lugar pra morar, sem lugar algum melhor no mundo enfiaram o velho no extremo do pólo norte garantindo-lhe um imóvel mobiliado. Todavia, este senhor sensível está idoso demais para trabalhar ofereceram-lhe serviçais, não poderiam ser menos do que anões, gnomos, entre outros, lamentavelmente os “gremlins” ficaram de fora, são sensíveis a água e lá neva.

Tudo pronto para a operação do bom velhinho, pois já tem residência, transporte, operários e fama de bonzinho. Faltava um arremate: o motivo, o porquê fazer tudo isso, assim nasce o “Messias cristão”, mas sinto em informar historicamente Jesus de Nazaré nasceu provavelmente no mês de abril, de acordo com informações judaicas, as datas do calendário gregoriano (o nosso) não coincidem com o judaico, vale salientar que biblicamente Jesus é natural do oriente, ou seja, devemos observar as datas segundo o calendário deles não nosso. Existem informações da tradição religiosas, que apesar de relevantes não são compatíveis com o momento.

Voltando temos o palco perfeito para o espírito natalino em nosso maravilhoso Brasil, recebemos de braços aberto um homem estrangeiro (do pólo norte, logo ali) que usa roupas pesadas e botas de neve, no nosso calor tropical, que entra supostamente pela chaminé em nossas casas de telhas, de lajes e também em apartamentos empilhados uns sobre os outros, mas não podemos perder o espírito natalino. Esse velhinho bonzinho estaciona suas renas na vaga para idoso, com talão de zona azul e sai espelhando uma saudação de “hou, hou” que não sabemos se quer dizer oi ou apenas uma risada sem graça. Porém o espírito permanece entulhamos nossas casas de enfeites são luzes, árvores de natal com um pinheiro que não é típico de nossa região, assim como presépio com manjedoura rodeada por animais, três reis com seus presentes para um menino que na ocasião da chegada já estava andando, mas permanece lá deitadinho, mas esse clima natalino traz paz, as pessoas se abraçam, se beijam, se cumprimentam como se nunca estivesse ressentidos um dos outros.

As famílias se reúnem em torno de mesas fartas com sorrisos alegres, afinal é natal, já esquecemos a raiva que passamos nas ruas empilhadas de pessoas histéricas com sacolas em todas as mãos te espremendo nos corredores, te pedindo desculpas falsamente, todos em busca de um presente que sinalize o amor que não afirmamos em mais de 350 dias que já se passaram, mas por que tanta preocupação? É Natal. De forma, burguesa nos enfiamos nas promoções, parcelamos no cartão em busca de expressar agradecimento ou até mesmo cumprir o protocolo instaurado que devemos presentear, não nos esquecemos nem do inimigo-amigo retirado em um sorteio de “amigo secreto”, tudo que precisamos saber é: no natal é tempo de amar, o resto do ano pensamos posteriormente.

Assim o ano recomeça e retomamos nossa histeria, não posso deixar de citar que nesse ínterim existem os felizes aniversários, isso inclui todos que presenteamos nas datas acima, ou seja, teoricamente temos três oportunidades por ano para sugestivamente agradar quem amamos, a ordem pode ser invertida, de acordo com as datas, nossos pais recebem abraços no aniversário, no dia específico do calendário e no natal, e assim entram outros nessa lógica, alguns ganham menos abraços, pois não comemoramos o dia da (o) irmã (o), mas os colocamos em alguma data relacionada.

Não sou contra o Natal e tudo mais, estou apenas refletindo sobre quantas vezes VOLUNTARIAMENTE presenteamos alguém, jantamos com pessoas especiais, declaramos amor? Simplesmente visualizar o quanto somos induzidos a gestos vazios, mas socialmente aplaudidos, precisamos apenas perceber que temos 365 dias para expor nossos sentimentos, tanto para quem está próximo como distante. Esse clima que teoricamente toma os corações dos homens pode habitar nesse peito o ano todo, sem imperar o determinismo comercial que nos mantém no boleto do cartão de crédito tentando observar um sorriso nos lábios de pessoas amadas.

Independente de como presenciamos essa época do ano, podemos perceber e pensar de maneiras variadas, mas não perdemos o espírito: Feliz Natal!!!

Trem de Ferro

dezembro 17, 2010

A ferrovia com seus trilhos gastos, trilham em direção ao norte;

Na plataforma vazia, acena o lenço úmido por pupilas marejadas pela despida;

Partiu sem deixar nada que me traga alento;

O caminho da distância mais próxima que nos separa;

Apenas o recomeço do agora que não temos;

As montanhas escalam céus desabitados por deuses sorridentes;

Planícies saltitantes de árvores enfileiradas dão passagem ao aço;

Ali imóvel soletro até breve esperançosa por mais um abraço,

Uma noite calorosa nesses dias frios.

O inferno aquecido de seus lábios;

Desço os últimos degraus de esperança;

Sentada neste banco frio, observo os pássaros que vagueiam sem verão;

As andorinhas perdidas sem estação;

A migração desvirtuada em busca do sul;

O sol silencioso abandona o céu lá longe ao oeste;

Com a cabeça apoiada entre os braços degusto o sabor real de seu ósculo: doces como pétalas de rosa;

Arrepiada sinto a suavidade epitelial de seus toques;

Choro…

Lágrimas salgadas…

Nunca mais nos veremos, jamais nos tocaremos, nossos olhares separados pelo restante da existência;

O desespero me domina,

Disparo descalçando os sapatos….

Quero alcançar seu vagão…

Gritar repetidas vezes que te amo…

A velocidade dos trilhos supera meus pensamentos, subtrai minhas forças;

Exaurida vejo as colinas engolirem a composição;

Meu choro não é adocicado, lamento…somente angústia,

O ódio de minha covardia revertido em delírio;

Agressividade apodrecendo os ossos…corroendo minh’alma;

Desejo ser o horizonte para lhe encontrar no desembarque;

O que sobrou de mim se arrasta até a plataforma destilando veneno letal de arrependimento;

Culpabilização por acreditar que a distância seria cura;

Que o adeus seria recomeço, nova vida…

Mas onde encontro a vida se existo em ti?

Cabelos emaranhados, rosto banhado a suor e fúcsias adquiro no guichê mais próximo minha passagem para lugar nenhum, pois na fraqueza de lhe ver partir faltou coragem para questionar qual local desceria portando consigo meu amor;

Embarco para os limites de meus erros, que o destino me carregue.